Desver, rever – mudar | Devaneios da realidade

Sempre tive um preconceito a respeito de textos motivacionais – ou de autoajuda – como preferir chamá-los – que falam sobre as dificuldades em tornar-se adulto, mas algo, dentro de mim, me fazia passar horas e horas com os olhos fixados neles.

Eu tinha uma dificuldade enorme em olhar no espelho e me enxergar como mulher, mas meus vinte e tantos anos chegaram e não tem mais pra onde fugir, a não ser enfrentá-los. Este ano, faço 26 e me peguei pensando se estou onde meu coração deseja estar e a minha resposta foi um belo de um grande NÃO.

Em meio a tantos pensamentos, me encontrei presa em tudo que vivi e perdida no que vou fazer daqui pra frente. Ao observar pessoas da minha idade mudando de trabalho, viajando o mundo, tendo filhos, casando e tomando infinitas decisões, sempre tive o costume de dizer: “Meu sonho é fazer isso também“, mas como boa libriana que sou, me pegava cheia de dúvidas em escolher A e, na sequência, já querer mudar para Z. Não conseguia enxergar qual era o meu verdadeiro sonho e me pautava nas realizações bem sucedidas de terceiros. E, poxa, isso causa uma angústia enorme, afinal, esses sonhos não eram meus, logo não sentia ânimo em agir para alcançá-los.

Há meses me questiono sobre as escolhas que fiz até hoje. Comecei a ler o que me inspirava, sair para lugares que me animavam, dancei até não aguentar, chorei até soluçar, fiquei quieta, falei muito, bebi, corri, viajei pela primeira vez com meus amigos, conversei com pessoas que me trouxeram conforto, fiz escolhas definitivas e olhei pra dentro, bem lá no fundinho – o lugar onde somente eu posso acessar.

Hoje, na companhia do meu silêncio, me peguei com uma sensação nunca antes sentida, saber qual sonho faz parte do meu ser e descobri que ele sempre esteve aqui, mas, por medo, insegurança, falta de coragem e achar a escolha dos outros sempre mais interessante, nunca dei a oportunidade para  que se mostrasse vivo. Eu me permiti, me desafiei, me experimentei de novo e de várias formas, e assim construí uma relação que não tem mais fim. Agora o tempo é todo meu.

Daqueles clichês que nos ajudam a enfrentar o mundo, estou encantada em sentir como um sonho move o sentido da vida e como os nossos propósitos só nascem quando nos movimentamos para isso, errando, errando, errando até acertar. Com os pés no chão e um desejo enorme de voar, meu corpo e coração vão se encontrar, logo ali. Até já.

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